Relatório prevê US$ 3 trilhões em investimentos em data centers; Brasil se destaca na América Latina

Um relatório da agência de classificação de risco Moody’s estima que os investimentos em data centers devem somar cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos. O movimento é impulsionado principalmente pelo avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da expansão de serviços digitais em escala global.

No recorte regional, o Brasil se destaca como líder na América Latina e ocupa a 12ª posição no ranking global de data centers. O país concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano, com cerca de 200 empreendimentos em operação, e projeções de investimentos que variam entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos.

Fatores que impulsionam o Brasil

Especialistas apontam alguns elementos estruturais que tornam o Brasil competitivo para esse tipo de infraestrutura. Entre eles estão a oferta relativamente ampla de energia renovável, a disponibilidade de água em regiões estratégicas e uma posição favorável no tráfego internacional de dados.

A malha de cabos submarinos que conecta o país a outros continentes reforça essa posição. O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, tem destacado esses fatores como diferenciais relevantes para atrair investimentos estrangeiros e ampliar a capacidade instalada.

Política Nacional de Data Centers

Para organizar o crescimento do setor, o Ministério das Comunicações está elaborando a Política Nacional de Data Centers, integrada à iniciativa Nova Indústria Brasil. A proposta busca oferecer maior segurança jurídica, incentivar eficiência energética, promover capacitação de mão de obra e fortalecer a articulação com cadeias industriais.

A intenção é apoiar uma expansão mais estruturada e sustentável da infraestrutura, reduzindo gargalos e aumentando a previsibilidade para investidores de longo prazo.

Incentivos fiscais e Redata

No campo tributário, o governo instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil, conhecido como Redata. O regime prevê uma dotação orçamentária de R$ 5,2 bilhões para 2026, voltada a incentivar novos projetos, com atenção especial a regiões menos atendidas.

Esses incentivos buscam acelerar a interiorização dos investimentos e reduzir desigualdades regionais na oferta de infraestrutura digital.

Perspectivas para o setor

No conjunto, as estimativas da Moody’s e as iniciativas do governo indicam um ciclo de expansão relevante para data centers no Brasil. O ritmo e a sustentabilidade desse crescimento dependerão da execução das políticas públicas, da capacidade energética e da evolução da demanda por serviços intensivos em dados, especialmente ligados à inteligência artificial.

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