A Salesforce anunciou um contrato de até US$ 5,6 bilhões ao longo de dez anos com o Exército dos Estados Unidos para fornecer uma plataforma de dados e analytics em nuvem que, segundo a empresa, servirá como base para uma futura adoção de inteligência artificial agentiva.
O acordo, divulgado em 27 de janeiro de 2026, prevê a implementação do portfólio Missionforce, lançado pela Salesforce em setembro de 2025 para atender demandas de defesa, inteligência e aeroespacial. A companhia afirma que a solução unificará fontes de dados, oferecerá painéis analíticos e padronizará fluxos de trabalho para uso em atividades administrativas e operacionais.
Executivos da Salesforce afirmam que o objetivo é operacionalizar o Missionforce em toda a força e facilitar a interoperabilidade com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A própria empresa ressalta, porém, que o uso de IA agentiva é uma meta de médio prazo, enquanto as capacidades de analytics devem ser implantadas primeiro.
A iniciativa ocorre em um contexto mais amplo de experimentação com agentes de IA no setor de defesa. Em 2025, um relatório do Defense Technical Information Center recomendou um plano de adoção de IA agentiva, e o Pentágono firmou em março do mesmo ano um acordo relevante com a Scale AI, envolvendo parceiros como Anduril e Microsoft, para aplicações em planejamento e operações.
Na prática, o contrato pode ser interpretado tanto como uma ampliação de parcerias anteriores da Salesforce com o Exército, já presente em sistemas de recursos humanos e recrutamento, quanto como uma entrada mais direta na disputa por programas de modernização do Departamento de Defesa.
Há riscos e pontos operacionais a considerar. A centralização de dados pode acelerar decisões e automações, mas também concentra dependências tecnológicas e exige governança rigorosa sobre qualidade da informação, controle de acesso, segurança e privacidade. A evolução para IA agentiva adiciona desafios relacionados à confiabilidade, supervisão humana, mitigação de vieses e prevenção de comportamentos indesejados em ambientes militares.
Do ponto de vista institucional, contratos desse porte levantam questões sobre competitividade, interoperabilidade entre fornecedores e a capacidade das forças armadas de gerenciar implementações complexas sem comprometer resiliência ou autonomia operacional.
Mesmo com avanços administrativos observados em iniciativas anteriores, desafios estruturais permanecem. Embora integrações da Salesforce tenham sido associadas a melhorias em métricas de recrutamento em 2025, o Exército ainda enfrenta taxas elevadas de atrito entre novos alistados, indicando que tecnologia, isoladamente, não resolve problemas de retenção e experiência do pessoal.
A Salesforce não detalhou cronogramas de implantação nem os mecanismos específicos de governança e fiscalização do uso de IA em cenários sensíveis, pontos que tendem a ser centrais para a avaliação do impacto real do contrato ao longo do tempo.













